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05 de Junho de 2026

Morte de fisiculturista acende alerta sobre o uso de hormônios e substâncias para ganho estético

Foto: Magnific

A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, reacendeu o debate sobre os riscos do uso indiscriminado de anabolizantes e outras substâncias voltadas ao ganho de massa muscular e melhora estética.

Além da comoção de fãs, amigos e familiares, o episódio também mobilizou discussões sobre a necessidade de conscientização e atenção aos perigos associados ao consumo desses produtos, especialmente entre jovens influenciados por padrões estéticos e promessas de resultados rápidos.

Segundo a Dra. Patricia Zach, endocrinologista do Hospital Dia Campo Limpo, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP) e gerenciada pelo CEJAM, o uso de anabolizantes sem acompanhamento médico pode desencadear uma série de complicações graves, muitas vezes silenciosas.

“Existe uma falsa percepção de que, por serem amplamente divulgados em academias e redes sociais, esses produtos são seguros. Mas estamos falando de substâncias que alteram profundamente o funcionamento hormonal e metabólico do organismo”, afirma.

Os anabolizantes são derivados sintéticos da testosterona e, quando utilizados de forma inadequada, provocam danos cardiovasculares graves, como hipertensão arterial, arritmias, infarto e aumento do risco de morte súbita. Além disso, também estão associados a lesões hepáticas e insuficiência renal.

“O coração é um dos órgãos mais afetados. Muitos usuários desenvolvem aumento do músculo cardíaco, o que pode comprometer a função do órgão e elevar o risco de complicações, inclusive em pessoas jovens e aparentemente saudáveis”, explica a especialista.

Além das alterações cardiovasculares e metabólicas, os anabolizantes também provocam desequilíbrios hormonais preocupantes. Nos homens, o uso contínuo pode causar infertilidade, impotência sexual, redução da produção natural de testosterona e ginecomastia (aumento das mamas). Já nas mulheres, há risco de alterações menstruais, engrossamento da voz, aumento de pelos e mudanças corporais muitas vezes irreversíveis.

A endocrinologista destaca ainda os impactos na saúde mental e comportamental.

“É comum observarmos quadros de ansiedade, irritabilidade, agressividade, dependência psicológica e distorção da imagem corporal. Muitas pessoas entram em um ciclo de uso contínuo porque passam a acreditar que o próprio corpo nunca está bom o suficiente”, relata.

A médica reforça que não existem protocolos seguros para o uso estético de anabolizantes sem indicação profissional. “Mesmo os hormônios bioidênticos, quando usados de forma inadequada, sem avaliação individual, sem dose correta e sem monitoramento, também podem trazer malefícios à saúde”, alerta.

Outro ponto de atenção é o uso combinado de anabolizantes com medicamentos para emagrecimento, diuréticos e substâncias manipuladas sem controle adequado. De acordo com a endocrinologista, a mistura pode potencializar efeitos colaterais e sobrecarregar ainda mais órgãos vitais.

“Muitos desses produtos são adquiridos clandestinamente, sem qualquer garantia de procedência. Em alguns casos, a pessoa sequer sabe exatamente o que está aplicando no corpo”, alerta.

A especialista reforça que mudanças físicas sustentáveis devem acontecer com orientação e acompanhamento profissional, alimentação equilibrada e prática regular de atividade física.

“Não existe fórmula milagrosa sem risco. Qualquer reposição hormonal precisa ser avaliada individualmente. A busca por resultados rápidos pode trazer consequências permanentes para a saúde”, finaliza a médica.

Fonte: Comunicação, Marketing e Relacionamento

Saúde Endocrinologia Qualidade de vida

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