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16 de Junho de 2026
Foto: Magnific
A chegada de grandes torneios esportivos costuma provocar mudanças na rotina e no comportamento coletivo. Durante um evento de alcance global, como a Copa, compromissos são reorganizados, ruas ficam mais vazias nos horários das partidas e até quem não acompanha futebol acaba envolvido pelo clima de torcida e mobilização nacional.
E esse fenômeno vai além do esporte. Para Ana Paula Ribeiro Hirakawa, psicóloga do CER IV M'Boi Mirim, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP) e gerenciada pelo CEJAM, a Copa cria uma experiência rara de conexão em um cotidiano marcado por excesso de estímulos e relações cada vez mais individualizadas.
“Há um alívio psíquico imenso quando o desejo individual se alinha perfeitamente ao desejo de milhões de outras pessoas”, explica.
Além disso, o ato de torcer também desperta um forte sentimento de pertencimento: a camisa, os cantos e os rituais em torno dos jogos ajudam a construir uma sensação temporária de unidade social. De acordo com a especialista, nesses momentos, muitas diferenças parecem ser deixadas em segundo plano.
Em partidas decisivas, o corpo reage como se estivesse dentro do jogo. Coração acelerado, tensão muscular, suor excessivo e irritabilidade são respostas frequentes do organismo para momentos de alta pressão.
“O sujeito experimenta o medo da perda iminente ou a excitação da vitória, mas durante os 90 minutos ele não tem como mudar o resultado. Essa impossibilidade de ação faz com que a angústia seja descarregada diretamente no somático”, explica Ana Paula.
As emoções também costumam ultrapassar o apito final. Vitórias geram sensação de potência e euforia. Já derrotas importantes podem provocar frustração prolongada, tristeza e mudanças de humor.
Conforme a psicóloga, isso acontece porque o esporte mobiliza sentimentos muito profundos ligados à ideia de sucesso e reconhecimento. “Quando o time vence, o torcedor experimenta um triunfo narcísico, uma expansão de si mesmo. Por outro lado, a derrota reativa pequenas e grandes perdas acumuladas.”
O campeonato também altera a forma como as pessoas se comportam socialmente. Gritar na rua, cantar alto, abraçar desconhecidos e se comover publicamente passam a ser atitudes não apenas aceitas, mas incentivadas pelo ambiente coletivo.
Para Ana Paula, grandes eventos esportivos funcionam como momentos de “desapego” das regrado cotidiano. Nesse sentido, o torneio oferece uma pausa simbólica na rotina e cria um raro sentimento de experiência compartilhada.
Nas redes sociais, essa experiência é ainda mais intensa. Cada lance gera reações instantâneas, discussões, memes e ondas de indignação ou exaltação compartilhadas em tempo real.
“Hoje existe uma exigência de reação imediata”, avalia a especialista. Segundo ela, a hiperexposição digital reduz o espaço para elaborar frustrações e ambiguidades, tornando os sentidos mais impulsivos e polarizados.
Entre crianças e adolescentes, o clima de rivalidade e idolatria também exige atenção. Segundo a especialista, experiências ligadas ao esporte ajudam a desenvolver maturidade e formas mais saudáveis de lidar com expectativas. “Esportes ensinam o que é o limite e como podemos sustentar nosso desejo mesmo quando falhamos.”
No fim, essa capacidade de mobilizar emoções tão humanas ajuda a explicar o que faz a competição ser um fenômeno atemporal.
Porque, durante algumas semanas, o futebol deixa de ser apenas entretenimento e se transforma em identificação, válvula de escape e ponto de encontro emocional para milhões de pessoas.
Fonte: Comunicação, Marketing e Relacionamento
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